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Projetos usam tatuagem para devolver autoestima às vitimas de câncer de mama

25 abr

O câncer de mama não atinge apenas a saúde da pessoa. A estética, e consequentemente, a  autoestima de mulheres vítimas dessa doença, também é abalada. Pensando nisso, tatuadores resolveram usar a tinta para transformar uma experiência dolorosa em arte e resgatar a autoconfiança dessas mulheres.

Durante o tratamento de câncer de mama, algumas mulheres precisam passar por um processo cirúrgico chamado mastectomia. Nele, acontece a remoção de um ou dos dois seios, parcial ou completamente. Estima-se que dos 2.6 milhões de mulheres sobreviventes do câncer de mama nos EUA, 56% ficou com cicatrizes nos seios ou até mesmo sem os mamilos.

Com essa percepção, foi criado um projeto chamado P.INK ( trocadilho com a palavra pink, que significa “rosa” e ink, que quer dizer “tinta”). Ele conecta tatuadores e mulheres vítimas de câncer de mama. “O projeto é uma curadoria de inspiração para desenhos, link de artistas e mensagens de apoio para mulheres buscando um controle criativo de seus corpos pós-operação”, definiu o seu criador, Noel Franus.

P.INK2

Tatoo e autoestima: tudo a ver

A ideia surgiu quando a cunhada de Noel, Molly,  foi diagnosticada com câncer e descobriu que ficaria com cicatrizes permanentes e sem mamilos. Molly se perguntou: “se minha auréola será tatuada como parte da reconstrução, por que não começar do zero com algo novo, algo diferente?”. Noel ficou com isso na cabeça e com ajuda da agência de publicidade CP+B, onde é diretor, percebeu aí uma oportunidade para exercitar a criatividade.

Segundo Noel, a repercussão do projeto tem sido muito positiva. O P.INK foi lançado em 21 de fevereiro e já conta com 25 tatuadores voluntários, além de receber apoio na mídia tradicional e  redes sociais. É justamente através de uma rede social, o Pinterest, que o projeto compartilha histórias, links de artistas, mensagens de apoio e tatoos de mulheres que passaram pelo processo de mastectomia.

A famosa tatuadora Vyvyn Lazonga é voluntária do projeto P.INK.

A famosa tatuadora Vyvyn Lazonga é voluntária do projeto P.INK

O processo para participar do projeto varia de pessoa para pessoa. É difícil definir pré-requisitos, pois a pele de cada um responde de uma maneira diferente às tatuagens. Há diversos tamanhos de cicatrizes e algumas precisam de um ano ou mais até poderem ser cobertas. As tatuagens para cobrir a falta de mamilo também têm seus próprios desafios e oportunidades. Por isso, são recomendados apenas os serviços de tatuadores familiares com esse tipo de situação, que irão avaliar cada caso.

Tatuagem ornamental

Tatuagem ornamental

E a procura tem sido grande. Até mesmo mulheres que antes não cogitavam fazer uma tatuagem, mudaram de opinião após passarem por um câncer de mama e conhecerem o P.INK.  “Eles recusam a deixar o câncer definí-los. Uma tatuagem pode ter um papel importante no processo de cura, já que dá aos pacientes a sensação de controle, algo que eles não experimentam há anos. Isso é poderoso. Acho que esse é a grande missão dos designers: melhorar a vida dos outros, às vezes de um jeito completamente inesperado”, afirmou Noel Franus.

Aqui no Brasil também existe uma inciativa desse tipo. É o Projeto Cicatrizar. Ele também faz o contato entre tatuadores voluntários e mulheres vítimas do câncer de mama interessadas em fazer uma tatuagem. A tatoo pode ser reconstrutora, como a auréola por exemplo, ou ornamental, que cobre a cicatriz da mastectomia ou do retalho das costas.

Exemplo de tatuagem reconstrutora

Exemplo de tatuagem reconstrutora

Quem for de Goiana ou puder der uma passada por lá, pode aproveitar o festival Tatoo Rock Fest que acontecerá em Junho, para fazer a sua tatuagem. O festival firmou uma parceria com o Projeto Cicatrizar e a Revista Tatoo Rock e irá oferecer tatuagens de graça durante o evento. Os artistas tatuadores interessados em participar podem entrar em contato com Danilo Gonçalves (https://www.facebook.com/DANILOTATTOOROCKFEST) ou pelo e-mail tattoorockfest@gmail.com.

Para se informar e participar do projeto Cicatrizar é só entrar em contato com a Larissa Egea ou a Ludmilla Almeida pela página do blog (http://projetocicatrizar.blogspot.com.br/) ou pelo Facebook (https://www.facebook.com/ProjetoCicatrizar).