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Para mulheres histéricas, vibrador

22 abr

Paciente histérica

O post de hoje traz uma dica de filme que aborda, baseado em fatos históricos, a motivação e criação do acessório sexual mais usado no mundo: o vibrador. Histeria é o nome do filme e da doença diagnosticada em metade das mulheres da Inglaterra no século 19, época em que se passa o longa metragem.

Mulheres briguentas, desobedientes ou que simplesmente não agissem de acordo com o esperado pela sociedade na época, eram diagnosticadas como histéricas. Era assim desde a Grécia Antiga. Filósofos renomados como Hipócrates e Platão defendiam essa ideia. Para eles, o ventre era como uma criatura viva que vagava pelo corpo da mulher, causando os sintomas da histeria. O nome da doença vem justamente daí: histeria se origina da palavra grega hysteria, cujo significado é útero.

O filme mostra de maneira bem humorada como essa doença era tratada no século 19: através de estímulos sexuais, muitas vezes feitos pelos próprios médicos. Mas o objetivo não era proporcionar prazer à essas mulheres. Na época acreditava-se que somente os homens eram capazes de sentir prazer. Os orgasmos femininos, chamados de praximos histéricos, seriam apenas descargas elétricas do sistema nervoso. Os médicos especialistas em histeria acreditavam que ao provocar essa descarga do sistema nervoso, poderiam curar as mulheres histéricas.

Dr. Robert Dalrymple ensinando o método da massagen vaginal

Dr. Robert Dalrymple ensinando o método da massagem vaginal

Insônia, irritabilidade, perda de apetite, nervosismo, tristeza sem motivo aparente, espasmos musculares: esses e outros inúmeros sintomas eram diagnosticados como histeria. No filme, o Dr. Robert Dalrymple (Jonathan Pryce) é um desses especialistas em doenças de senhoras, com uma grande clientela  bastante satisfeita com suas massagens vaginais. A procura pelo tratamento é tanta, que o médico precisa contratar um assistente. O escolhido para o cargo é o Dr. Mortimer Granville (Hugh Dancy), um rapaz apaixonado pela profissão, mas que não consegue durar em um emprego por conta de sua visão inovadora da medicina.

Ao conseguir o emprego, Mortimer conhece as duas filhas do Dr. Robert. Uma é Emily (Felicity Jones), comportada e submissa. A outra é Charlotte (Maggie Gyllenhaal), revoltosa e com pensamentos avançados para uma mulher inglesa do século 19.  Essa personagem traz o outro tema abordado no filme: o papel das mulheres na sociedade.

Charlotte: considerada histérica por querer direitos iguais para as mulheres

Charlotte: considerada histérica por querer direitos iguais para as mulheres

O jovem doutor aprende rapidamente o método da massagem vaginal e conquista novas clientes para o consultório, cada vez mais assíduas e satisfeitas com as consultas. Tanto trabalho acaba causando uma lesão na mão do Dr. Mortimer, o deixando incapaz de realizar o tratamento de histeria nas pacientes. É nesse momento que a necessidade cria a oportunidade, e em parceira com seu amigo Edmund St John-Smythe (Rupert Everett), o médico cria um massageador elétrico, futuramente chamado de vibrador.

Ao mesmo tempo,  o rapaz se interessa por Emily, mas a convivência com a impetuosa e desconcertante Charlotte o faz questionar seus métodos e convicções, assim como seus sentimentos. Seria a histeria mesmo uma doença, ou apenas a manifestação da insatisfação feminina em uma sociedade machista?

Trailer do filme:

 

Vibradores melhoram vida sexual das mulheres

Mulheres que usam  vibrador tem melhor vida sexual, diz pesquisa

Um estudo publicado no “Journal of Sexual Medicine” concluiu que a utilização do vibrador estimula comportamentos saudáveis e aumenta a cumplicidade entre os casais. A pesquisa foi feita  no Centro de Promoção da Saúde Sexual da Universidade do Indiana e contou com a participação de 3.800 mulheres com idades compreendidas entre os 18 e os 68 anos.

Entre as participantes do estudo,  52% afirmou já ter usado um vibrador. Dessas,  83% usou o acessório para estimular o clitóris, enquanto  64% o usou no interior da vagina. Segundo os investigadores, a maior qualidade na vida sexual das mulheres que utilizam o vibrador é evidente. “As utilizadoras tinham níveis mais elevados de excitação, orgasmo, lubrificação e menos dor”, afirmaram. Além disso, as utilizadoras do acessório sexual costumam consultar o ginecologista e fazer exames para diagnosticar câncer de mama com mais frequência.

Esse comportamento mais responsável com o próprio corpo faria parte do autoconhecimento estimulado pelo vibrador. “Muitas mulheres têm vergonha  de se tocar, de conhecer o seu corpo. E a mulher que se masturba, com ou sem vibrador, se conhece melhor e sabe quando uma secreção está alterada ou se há algo diferente em seu corpo”, de acordo com a ginecologista e sexóloga Carolina Ambroguini, do departamento de ginecologia da Unifesp.

O uso do vibrador também pode ajudar no relacionamento sexual do casal. As experiências positivas e prazerosas conseguidas com o acessório, estimulariam as mulheres a sentir mais vontade de fazer sexo com seus parceiros. A quebra da rotina e o incentivo de joguinhos nas relações sexuais também seriam outros pontos positivos, segundo os investigadores do estudo.

A maior parte das mulheres da pesquisa afirmou não sentir efeitos secundários associados ao uso de vibrador. Apenas  16% afirmou ter sentido dormência nos órgãos genitais por pelo menos um dia.