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FightBack: o aplicativo defensor das indianas

3 abr

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Os casos de estupro na Índia não são poucos e nem recentes, mas ganharam destaque nos noticiários internacionais neste ano de 2013. Parece que finalmente o mundo resolveu abrir os olhos para a terrível situação das mulheres nesse país.  Recentemente, um aplicativo mobile de segurança tornou-se um aliado dessas mulheres vítimas de agressão. Conheçam o FigthBack, ou “Berra de volta”.

O aplicativo foi criado em 2011 por duas jornalistas de Nova Deli, cidade onde mais acontecem estupros na Índia. No início era cobrada uma assinatura anual de INR 110, o equivalente a $ 1,83, para usá-lo. No entanto, após os recentes casos expostos de estupro e violência contra as mulheres na capital Nova Deli e em todo o resto da Índia,  o software foi disponibilizado gratuitamente e ganhou popularidade entre as mulheres. Uma negociação para integrar  o aplicativo com o sistema de polícia de Nova Deli está em andamento.

fb

Ele está disponível para Android, Blackberry e smartphones Nokia, e usa tecnologias como GPRS, GPS e SMS. A inscrição pode ser feita por um cadastro contendo nome e e-mail, ou através de login com sua conta do Facebook, além do número de celular, é claro. O aplicativo funciona da seguinte maneira: a pessoa segura um botão chamado botão do pânico durante 5 segundos e uma mensagem de SOS é enviada para o portal do FightbBack com a localização exata do alerta através do Google Maps. Ao mesmo tempo, é enviada uma SMS para cinco contatos de emergência escolhidos pela usuária no momento do cadastro.

mapa

Se a pessoa possuir uma conta no Facebook, o alerta também pode ser compartilhado para todos os amigos da usuária nessa rede. O status na timeline é atualizado com a mensagem de SOS, contendo a localização da pessoa. No portal, os alertas estão abertos para exibição pública, mas  não revelam a identidade da vítima.

A intenção é ótima, mas parece que para garantir a ajuda às mulheres indianas, o FightBack ainda precisa fazer ajustes. Algumas testaram o aplicativo e relataram problemas como: complicação para configurar, consumo rápido de bateria do celular, falta de atalhos para agilizar o pedido de socorro e demora no envio das SMS’s.

Ação usa manequins de estilista famosa como vítimas de violência doméstica

2 abr

Várias campanhas ao redor do mundo foram feitas para concientizar a sociedade sobre a violência doméstica, mas o assunto ainda causa desconforto e contradição e os números desse tipo de violência continuam enormes. Para abrir mais uma vez a discussão sobre o tema, a estilista Vivienne Westwood expôs seus manequins com manchas de hematomas e conseguiu chamar a atenção.

Quem passou pelas vitrines das lojas da estilista se surpreendeu ao ver junto às suas criações,  manequins exibindo machucados parecidos com os das vítimas de violência doméstica. A ação  foi realizada na loja da estilista na Itália e chamou a atenção da imprensa local: foi divulgada por noticiários de tv, jornais digitais e impressos e revistas.

Além da imagem chocante dos manequins cheios de hematomas e da reação das pessoas ao vê-los, o case da ação criada pela agência Leo Burnett Milan exibiu dados sobre a violência praticada contra as mulheres por seus maridos, namorados e parceiros. No ano de 2012, 120 mulheres foram mortas na Itália, vítimas de violência doméstica. É uma média de 1 morte a cada 3 dias.

Um dos manequins da vitrine de Vivienne Westwood

Um dos manequins da vitrine de Vivienne Westwood

No Brasil,  os números são ainda piores. Mais de duas mil mulheres por dia registram queixa  e  a cada 4 minutos uma é morta vítima de violência doméstica, segundo o ministério público. O Machismo (46%) e o alcoolismo (31%) são apontados como principais causas. A agressão física é a mais comentada, mas outros tipos de agressão também são considerados violência doméstica.

O que é violência doméstica?

  • Agressões físicas: empurrar, bater, golpear, morder, chutar, arremessar objetos contra uma pessoa, utilizar uma arma, forçar sexo ou carícias, estuprar, asfixiar;
  • Isolamento: proibí-la de ver pessoas; controlar suas companhias e conversas; querer controlar o seu paradeiro o tempo todo;
  • Agressão Emocional: xingá-la; colocá-la para baixo; fazer chantagem emocional; humilhá-la em público;
  • Agressão econômica: tomar o seu dinheiro; obrigá-la a pedir por dinheiro; controlar todo o dinheiro;
  • Agressão sexual: tratá-la como um objeto sexual; forçá-la a fazer sexo ou a ter atitudes sexuais quando você não queira;
  • Usar as crianças: usar as visitações como um pretexto para perturbá-la; pressionar as crianças para obter informações a seu respeito; insultá-la na presença das crianças;
  • Ameaças: dizer que vai levar as crianças embora, que você nunca mais as verá novamente; ameaçar machucá-la; ameaçar denunciá-la à assistência social ou à DSS; ameaçar machucar a sua família; ameaçar machucar-se a si mesmo;
  • Insistir em estar no controle: tratá-la como uma criada; tomar as decisões importantes;
  • Intimidação: através do olhar; ferir animais de estimação; destruir sua propriedade.

 

Bohemia ironiza propagandas de cerveja e agrada mulheres

31 mar

Essa semana a marca de cerveja Bohemia lançou uma nova campanha de marketing nas mídias tradicionais e redes sociais que chamou a atenção. Conhecida como uma marca tradicional, ela acertou em cheio quando inovou e zombou de maneira inteligente aquela velha combinação do marketing nessa área: cerveja gelada + mulher pelada. A publicidade saiu do lugar comum e conseguiu a simpatia das mulheres.

Diretoria de velhinhos da Bohemia

Diretoria de velhinhos da Bohemia

A propaganda se passa na festa de abertura da Cervejaria Bohemia em Petrópolis para a visitação do público. Estão presentes a diretoria da marca, composta por velhinhos mágicos, e o novo diretor de marketing: um rapaz jovem. A diretoria está feliz e parabeniza o rapaz pela idéia de abrir a  cervejaria para visitação. Empolgado, o jovem afirma: “O próximo passo é colocar umas mulheres gostosas no comercial. A propaganda das outras cervejas tá mais jovem que a nossa.” Então um dos diretores provoca: “Ótimo. Quem gosta de propaganda assiste a deles. Quem gosta de cerveja, bebe a nossa.” Todos sorriem e um dos velhinhos vira-se para o rapaz e finaliza sacaneando: “Chupa!”.

O uso desse discurso divertido e ao mesmo tempo de desdém ao clichê da mulher objeto nas propagandas de cerveja não foi à tôa. A Bohemia é líder do seguimento Premium no Brasil: tipo de cerveja que costuma ser mais caro e é mais consumido por mulheres.  No geral, o consumo de cerveja pelo público feminino vem crescendo. De acordo com uma pesquisa de 2010 da Latin Panel, uma das maiores empresas de pesquisa de consumo da América Latina, a cerveja é a bebida preferida de 41,6% das mulheres. Seis porcento a mais em relação à mesma pesquisa feita em 2008.

O público feminino ainda não é maioria e nem consome tanta cerveja quanto o masculino, mas influi de outras maneiras no mercado da cerveja. As mulheres são maioria nos pontos de venda: a Associação Global de Marketing de Varejo estima que elas representam 70% dos consumidores nestes locais e têm grande influência nas escolhas de familiares, parceiros e amigos.

A cerveja é a bebida preferida de 41,6% das mulheres

Cerveja é a bebida preferida de 41,6% das mulheres

Mesmo com esse crescimento notável do interesse das mulheres pela cerveja, ainda não há um produto feito especificamente para elas. A primeira sommelier de cervejas do Brasil, Cilene Saorin, explica: “Não existe uma cerveja específica para mulheres ou para homens. Existe um comportamento diferente em relação ao consumo”.

Outras marcas já perceberam essa mudança no público consumidor de cerveja e fizeram abordagens menos clichês em suas campanhas publicitárias. A mulher passou de recompensa por comprar a cerveja à apreciadora e consumidora da mesma. “O mercado brasileiro se deu conta de que a maneira como retratava a mulher estava desatualizada . Foi quando as empresas começaram a colocá-la ao lado do homem”, disse João Livi, diretor de criação da agência de publicidade Talent e responsável por campanhas das marcas Bavária, Bavária Premium e Xingu, da Heineken.

Vale lembrar : o Conar, Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, proíbe propagandas onde há apelo à sensualidade como principal conteúdo da mensagem e modelos publicitários tratados como objeto sexual.

Abaixo, a propaganda da Bohemia e de outras marcas que usaram um discurso diferente na hora de promoverem  sua cerveja: