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Mulheres são mais dependentes de cocaína que homens e sofrem para procurar tratamento

26 abr

mulher crack

O uso de drogas, principalmente cocaína e crack, ainda é maior entre os homens, mas um mapeamento feito no país mostrou que a dependência é maior entre as mulheres. Além disso, fatores externos tornam a procura por ajuda para se livrar das drogas, mais difícil para o sexo feminino.

Segundo dados do 2º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, 54% das mulheres usuárias são dependentes da cocaína, contra 46% dos homens consumidores da droga. Esse índice abrange a droga refinada e seus subprodutos, como crack, óxi e merla. A pesquisa foi feita pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com a participação de 4.607 pessoas acima dos 14 anos, em 149 cidades do país, de todas as classes sociais e escolaridades.

Para a coordenadora do estudo, a psicóloga Clarice Madruga, os hormônios femininos, principalmente o estrógeno, seriam os culpados por essa maior dependência entre as mulheres. “Este hormônio potencializa os efeitos reforçadores da droga, a tornando mais prazerosa e, portanto, aumentando o seu poder de dependência”, afirma.

Carlos Salgado, psiquiatra da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), explica um pouco mais essa questão: “Nos ciclos estrogênicos, há uma disposição maior da mulher para a ação no ambiente, ou seja, para fazer mais atividades. Quando sobe o nível deste hormônio, as mulheres ficam mais impetuosas.” Mas, segundo o psiquiatra,  a dependência é multideterminada. Outros fatores influem nos dados divulgados. “Tem o ambiente, a questão cultural e a principal, a oferta maior da droga”.

Já dependentes das drogas, as mulheres encontram outra barreira para se livrarem da doença: o preconceito. É o que afirma a tese de doutorado da enfermeira psiquiátrica josélia Carneiro Domingos, desenvolvida pela Universidade de São Paulo (USP). A pesquisa feita com 95 dependentes químicos atendidos pelo Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps-AD) de Ribeirão Preto, descobriu que muitas mulheres não procuram ajuda por medo da opinião dos outros.

“A mulher sofre um estigma social muito grande. O que a leva a buscar tratamento pode ser um situação de busca de vínculo perdido com os filhos ou pais, por exemplo. Muitas delas relataram que tinham vergonha por estar fazendo tratamento em local específico para dependentes químicos. Isso às vezes as constrangia”, explica Josélia.

O psicólogo do Caps-AD, Eber de Matos, reforça a opinião da enfermeira. “A sociedade parece tolerar mais homens que bebam muito, que usem muitas drogas. Isso cria um problema para as mulheres, porque elas se envergonham mais desse uso do que o homem. Elas deixam de procurar ajuda porque supoem que serão estigmatizadas”, diz.

A pesquisa foi realizada com 42 usuárias de cocaína e 53 de crack.  Entre as usuárias de cocaína, 71,4% procurou tratamento por iniciativa própria. No caso das viciadas em crack, o número diminuiu para 62% de procura voluntária.

Efeitos do crack no corpo

– Abaixo, um pequeno bate-papo com George Lins, criador da Comunidade Terapêutica Novo tempo, localizada em Recife, PE. Ele fala um pouco mais sobre a realidade enfrentada por dependentes químicos.

É Coisa De Mulher: A procura por ajuda na Comunidade Terapêutica Novo Tempo é maior por pessoas do sexo masculino ou feminino?

George Lins: Não só em minha comunidade a procura é maior por pessoas do sexo masculino, como também em outras o numero maior é sempre de homens. Das internações, 90% são pelo uso do crack, uma droga mais usada por homens.

É Coisa De Mulher:  Os dependentes da comunidade costumam receber o apoio da família? Qual a importância desse apoio?

George Lins: Costumam e é de grande importância o apoio e participação da família no tratamento, pois no retorno ao lar eles que irão conviver com o dependente e tentar lidar da maneira mais correta com o mesmo. Na verdade, a família também adoece, pela questão da co-dependência emocional. No caso das mulheres, há uma outra preocupação por parte da família: a prostituição. Algumas delas usam o próprio corpo como moeda de troca para manter o vício.

É Coisa De Mulher: O que leva uma pessoa viciada a pedir ajuda?

George Lins: Eles pedem ajuda quando acabou a lua de mel com as drogas e já estão na situação de dor, sofrimento e desespero. Em alguns casos, nem assim eles se rendem, devido à compulsão e obsessão. Por isso existem os internamentos compulsórios, quando há uma intervenção familiar através de um laudo psiquiátrico ou até mesmo judicial,  pois a pessoa está atentando contra a própria vida e com a saúde mental comprometida para perceber a realidade em que se encontra.

É Coisa De Mulher:  Como é feito o tratamento? Há alguma diferença entre o tratamento para homens e para mulheres?

George Lins: Não há diferença no tratamento entre homens e mulheres.  Todos eles são portadores de uma doença chamada de Adicção. É uma doença comportamental que, por fim, leva ao uso abusivo de drogas. Mas é claro que cada paciente tem uma aspecto, uma característica a ser tratada em particular. Na Comunidade Terapêutica Novo Tempo nós usamos o método dos Doze Passos,  programa usado pela irmandade de Narcóticos Anônimos e Alcoólicos Anônimos. Usamos um modelo de abordagem humanitária e mais direta, por levar em consideração as diferenças entre os pacientes.

É Coisa De Mulher:  Você acha que a sociedade tolera mais um homem que use drogas do que uma mulher? Por quê?

George Lins:  Sim. Pela nossa própria cultura. A mulher ainda é muito discriminada.

É Coisa De Mulher:  Quais são os principais vícios das mulheres que procuram ajuda na Comunidade Terapêutica Novo Tempo?

George Lins: São múltiplas as drogas que as trazem até nós. Mas, com certeza, as mais usadas por elas são o álcool, a cocaína e por fim, o crack.

É Coisa De Mulher:  Há quanto tempo você trabalha com dependentes químicos? Percebeu alguma mudança no público que procura ajuda?

George Lins: Já faço este trabalho com dependentes químicos desde o início de 2009. Percebi várias mudanças, principalmente na classe social. Me refiro principalmente ao crack, pois inicialmente era mais usado pela classe baixa e hoje essa droga não discrimina classe social, faixa etária, sexo… tornou-se uma epidemia.

Como entrar em contato com a Comunidade Terapeutica Novo Tempo:

Projetos usam tatuagem para devolver autoestima às vitimas de câncer de mama

25 abr

O câncer de mama não atinge apenas a saúde da pessoa. A estética, e consequentemente, a  autoestima de mulheres vítimas dessa doença, também é abalada. Pensando nisso, tatuadores resolveram usar a tinta para transformar uma experiência dolorosa em arte e resgatar a autoconfiança dessas mulheres.

Durante o tratamento de câncer de mama, algumas mulheres precisam passar por um processo cirúrgico chamado mastectomia. Nele, acontece a remoção de um ou dos dois seios, parcial ou completamente. Estima-se que dos 2.6 milhões de mulheres sobreviventes do câncer de mama nos EUA, 56% ficou com cicatrizes nos seios ou até mesmo sem os mamilos.

Com essa percepção, foi criado um projeto chamado P.INK ( trocadilho com a palavra pink, que significa “rosa” e ink, que quer dizer “tinta”). Ele conecta tatuadores e mulheres vítimas de câncer de mama. “O projeto é uma curadoria de inspiração para desenhos, link de artistas e mensagens de apoio para mulheres buscando um controle criativo de seus corpos pós-operação”, definiu o seu criador, Noel Franus.

P.INK2

Tatoo e autoestima: tudo a ver

A ideia surgiu quando a cunhada de Noel, Molly,  foi diagnosticada com câncer e descobriu que ficaria com cicatrizes permanentes e sem mamilos. Molly se perguntou: “se minha auréola será tatuada como parte da reconstrução, por que não começar do zero com algo novo, algo diferente?”. Noel ficou com isso na cabeça e com ajuda da agência de publicidade CP+B, onde é diretor, percebeu aí uma oportunidade para exercitar a criatividade.

Segundo Noel, a repercussão do projeto tem sido muito positiva. O P.INK foi lançado em 21 de fevereiro e já conta com 25 tatuadores voluntários, além de receber apoio na mídia tradicional e  redes sociais. É justamente através de uma rede social, o Pinterest, que o projeto compartilha histórias, links de artistas, mensagens de apoio e tatoos de mulheres que passaram pelo processo de mastectomia.

A famosa tatuadora Vyvyn Lazonga é voluntária do projeto P.INK.

A famosa tatuadora Vyvyn Lazonga é voluntária do projeto P.INK

O processo para participar do projeto varia de pessoa para pessoa. É difícil definir pré-requisitos, pois a pele de cada um responde de uma maneira diferente às tatuagens. Há diversos tamanhos de cicatrizes e algumas precisam de um ano ou mais até poderem ser cobertas. As tatuagens para cobrir a falta de mamilo também têm seus próprios desafios e oportunidades. Por isso, são recomendados apenas os serviços de tatuadores familiares com esse tipo de situação, que irão avaliar cada caso.

Tatuagem ornamental

Tatuagem ornamental

E a procura tem sido grande. Até mesmo mulheres que antes não cogitavam fazer uma tatuagem, mudaram de opinião após passarem por um câncer de mama e conhecerem o P.INK.  “Eles recusam a deixar o câncer definí-los. Uma tatuagem pode ter um papel importante no processo de cura, já que dá aos pacientes a sensação de controle, algo que eles não experimentam há anos. Isso é poderoso. Acho que esse é a grande missão dos designers: melhorar a vida dos outros, às vezes de um jeito completamente inesperado”, afirmou Noel Franus.

Aqui no Brasil também existe uma inciativa desse tipo. É o Projeto Cicatrizar. Ele também faz o contato entre tatuadores voluntários e mulheres vítimas do câncer de mama interessadas em fazer uma tatuagem. A tatoo pode ser reconstrutora, como a auréola por exemplo, ou ornamental, que cobre a cicatriz da mastectomia ou do retalho das costas.

Exemplo de tatuagem reconstrutora

Exemplo de tatuagem reconstrutora

Quem for de Goiana ou puder der uma passada por lá, pode aproveitar o festival Tatoo Rock Fest que acontecerá em Junho, para fazer a sua tatuagem. O festival firmou uma parceria com o Projeto Cicatrizar e a Revista Tatoo Rock e irá oferecer tatuagens de graça durante o evento. Os artistas tatuadores interessados em participar podem entrar em contato com Danilo Gonçalves (https://www.facebook.com/DANILOTATTOOROCKFEST) ou pelo e-mail tattoorockfest@gmail.com.

Para se informar e participar do projeto Cicatrizar é só entrar em contato com a Larissa Egea ou a Ludmilla Almeida pela página do blog (http://projetocicatrizar.blogspot.com.br/) ou pelo Facebook (https://www.facebook.com/ProjetoCicatrizar).

Não usar sutiã pode ser melhor para a saúde da mulher

11 abr
sutia capa

De acordo com médico, sutiã é uma falsa necessidade

Um acessório muito conhecido das mulheres seria inútil e até prejudicial à saúde delas. Segundo o estudo feito na França, o abandono do sutiã teria reduzido as dores nas costas das mulheres que participaram da pesquisa e ajudado a endireitar os seus seios, sem deixá-los caídos. A peça é usada desde antes de cristo para diminuir os efeitos da gravidade e deixá-los com uma aparência mais atrativa.

Para chegar à essa conclusão, a equipe de Jean-Denis Rouillon, do Centro Hospitalar Universitário de Besançon, acompanhou 130 mulheres dispostas a não usar sutiã durante anos e avaliaram os seus efeitos. Para o médico, os resultados indicam que o sutiã não é necessário. “É uma falsa necessidade. O seio não se benefica do apoio e até se atrofia”, explicou Rouillon.

Depois de expor esse resultado polêmico, o médico ressaltou que sua conclusão ainda não pode ser considerada um prova científica definitiva contra o sutiã. “Os resultados são preliminares e foram obtidos com um recorte de população que não representa a população geral do mundo”, disse.

Sem contar que o estudo se refere ao ponto de vista médico, fisiológico e anatômico e não leva em consideração aspectos de moda. Então antes de sair queimando os sutiãs, vamos conhecer um pouquinho da história desse acessório tão importante na vida das mulheres.

De torturador a amigo da mulher: a história do sutiã

Colocar o espartilho era trabalhoso. Respirar com ele, ainda mais.

Colocar o espartilho era trabalhoso. Respirar com ele, ainda mais.

A busca por uma maneira de evitar o efeito da gravidade acompanha as mulheres há milênios. Na Ilha de Creta, em 2000 a.C, elas usavam tiras de pano para modelar os seios. Gregas e romanas também deram seu jeitinho improvisado, enrolando-os para que não balançassem e enfaixando- os para diminuí-los. Mas o grande precursor do sutiã foi mesmo o espartilho. Inventado no século XVI, o espartilho era apertado, rígido, sufocante. Sua matéria prima era a barbatana de baleia e continha vários cordões, feitos para apertar os seios. O aperto era tão grande, que muitas mulheres chegavam a desmaiar por falta de ar. Nada assustador para a época: a visão da mulher frágil era valorizada e alguns homens até gostavam ao verem suas donzelas necessitando de socorro.

A tortura só foi acabar na primeira década do século XX.  Em 1889, uma francesa chamada Herminie Cadolle cansou-se dos apertados espartilhos e cortou a parte de cima deles, criando o sutiã. No entanto, o acessório só apareceu para a socidade através da norte-americana Mary Phelps. A socialite queria usar uma roupa e como o espartilho não caía bem, confeccionou uma espécie de porta-seios tendo como material dois lenços, uma fita cor-de-rosa e um cordão. A invenção fez sucesso e a socialite começou a produzir a peça para algumas amigas. Em 1914, resolveu patentear a criação.

Modelo do sutiã patenteado por Mary Phelps

Modelo do sutiã patenteado por Mary Phelps

Esse primeiro sutiã tinha como função achatar os seios, mas a partir dos anos 30 a silhueta feminina voltou a ser valorizada e o desejo feminino era ter seios empinados. Em 1935, foram criados os primeiros sutiãs com bojo e estruturas de metal para aumentar as mamas, tão criticados atualmente por “iludirem” os amantes de seios fartos.

Sutiãs com bojo e estruturas de metal para deixar os seios empinadinhos

Sutiãs com bojo e estruturas de metal para deixar os seios empinadinhos

Em 1952 foi criado o náilon, deixando as peças mais leves. Mulheres curvilíneas continuavam valorizadas e a atriz Marilyn Monroe era o símbolo desse corpo perfeito. Por isso o sutiã mais cobiçado era o very secret: feito com duas almofadas de ar finas, criava o efeito de seios globo, fartos e redondos. Outro modelo de sucesso foi o sutiã peito-de-pombo, no qual o corte aproximava e levantava os seios.

Exemplos de sutiãs dos anos 40 e 50

Exemplos de sutiãs dos anos 40 e 50

Nos anos 60 e 70, alças elásticas e reguláveis foram adicionadas aos modelos de sutiã.  Os fabricantes do acessório começaram a perceber o grande nicho de adolescentes em busca do seu primeiro porta-seios e a criar tipos mais simples e com estampas românticas. Foi a partir daí que as lingeries começaram a ser feitas com tecidos transparentes e rendas. Também foi essa a época do auge do feminismo. O sutiã foi considerado um dos símbolos da repressão masculina e em 1968, algumas mulheres realizaram o protesto conhecido como A Queima dos Sutiãs, onde cerca de 400 ativistas do WLM (Women’s Liberation Movement) se manifestaram contra a realização do concurso de Miss America, em Atlantic City.  Os sutiãs na verdade nunca foram queimados. Elas apenas colocaram sutiãs, sapatos de salto alto, cílios postiços, sprays de laquê, maquiagens, revistas, espartilhos, cintas e outros “intrumentos de tortura”, amontoados em praça pública.

Ativistas na queima dos sutiãs

Ativistas na queima dos sutiãs

A partir da década de 80 surgiu o material mais usado nos sutiãs atualmente: a lycra. Feito com fibras naturais e algodão, o tecido proporcionou maior ajuste ao corpo e mais conforto para quem veste a peça. Na passagem dos anos 80 para os 90, a cantora Madonna revolucionou a maneira de usar sutiã. Apareceu com um corset de Jean Paul Gaultier na turnê Blond Ambition, lançando o conceito “outwear”: bodies, bustiês, corpetes e sutiãs viraram roupas de sair. Nos anos 90, o conforto passou a ser ainda mais valorizado. Os tecidos ficaram mais finos, como se fossem uma segunda pele e surgiram os modelos sem costura, além da lingerie esportiva. Novas fibras como tactel e microfibra foram incorporadas à lycra e ao algodão.

Madonna e seu Jean Paul Gaultier

Madonna e seu Jean Paul Gaultier

A palavra que define o sutiã nos anos 2000 é tecnologia. Ela invadiu o segmento e a modelagem ficou mais sofisticada. A indústria passou a criar modelos específicos para cada tipo físico da mulher. Bojos ganharam bolhas estrategicamente situadas para aumentar e modelar os seios pequenos e médios,  peças com recortes capazes de diminuir os peitos grandes foram feitas especialmente para as próteses de silicone.

Anos 2000: sutiãs com várias modelagens, para vários tipos de mulher.

Anos 2000: sutiãs com várias modelagens, para vários tipos de mulher.

A partir dos modelos hight- tech, a peça deixou de ter apenas objetivo estético. Passaram a integrar aparatos tecnológicos, com diversas funções. É o caso de um sistema de sutiã e calcinha criado por uma estudante de doutorado dos Estados Unidos. O conjunto permite jogar videogame através de controles ativados pela pressão em determinadas partes das peças.

Com um objetivo digamos, mais nobre, está em desenvolvimento o First Warning Systems, um sutiã esportivo e “inteligente” com a capacidade de detectar anomalias nos seios, como o câncer de mama. Ele foi testado em 650 mulheres e conseguiu diagnósticos com 90% de precisão. Percentual maior que o da mamografia, com 70% de acerto. Abaixo, vídeo fala sobre o funcionamento do sutiã e a sua importância no diagnóstico do câncer de mama.