Não usar sutiã pode ser melhor para a saúde da mulher

11 abr
sutia capa

De acordo com médico, sutiã é uma falsa necessidade

Um acessório muito conhecido das mulheres seria inútil e até prejudicial à saúde delas. Segundo o estudo feito na França, o abandono do sutiã teria reduzido as dores nas costas das mulheres que participaram da pesquisa e ajudado a endireitar os seus seios, sem deixá-los caídos. A peça é usada desde antes de cristo para diminuir os efeitos da gravidade e deixá-los com uma aparência mais atrativa.

Para chegar à essa conclusão, a equipe de Jean-Denis Rouillon, do Centro Hospitalar Universitário de Besançon, acompanhou 130 mulheres dispostas a não usar sutiã durante anos e avaliaram os seus efeitos. Para o médico, os resultados indicam que o sutiã não é necessário. “É uma falsa necessidade. O seio não se benefica do apoio e até se atrofia”, explicou Rouillon.

Depois de expor esse resultado polêmico, o médico ressaltou que sua conclusão ainda não pode ser considerada um prova científica definitiva contra o sutiã. “Os resultados são preliminares e foram obtidos com um recorte de população que não representa a população geral do mundo”, disse.

Sem contar que o estudo se refere ao ponto de vista médico, fisiológico e anatômico e não leva em consideração aspectos de moda. Então antes de sair queimando os sutiãs, vamos conhecer um pouquinho da história desse acessório tão importante na vida das mulheres.

De torturador a amigo da mulher: a história do sutiã

Colocar o espartilho era trabalhoso. Respirar com ele, ainda mais.

Colocar o espartilho era trabalhoso. Respirar com ele, ainda mais.

A busca por uma maneira de evitar o efeito da gravidade acompanha as mulheres há milênios. Na Ilha de Creta, em 2000 a.C, elas usavam tiras de pano para modelar os seios. Gregas e romanas também deram seu jeitinho improvisado, enrolando-os para que não balançassem e enfaixando- os para diminuí-los. Mas o grande precursor do sutiã foi mesmo o espartilho. Inventado no século XVI, o espartilho era apertado, rígido, sufocante. Sua matéria prima era a barbatana de baleia e continha vários cordões, feitos para apertar os seios. O aperto era tão grande, que muitas mulheres chegavam a desmaiar por falta de ar. Nada assustador para a época: a visão da mulher frágil era valorizada e alguns homens até gostavam ao verem suas donzelas necessitando de socorro.

A tortura só foi acabar na primeira década do século XX.  Em 1889, uma francesa chamada Herminie Cadolle cansou-se dos apertados espartilhos e cortou a parte de cima deles, criando o sutiã. No entanto, o acessório só apareceu para a socidade através da norte-americana Mary Phelps. A socialite queria usar uma roupa e como o espartilho não caía bem, confeccionou uma espécie de porta-seios tendo como material dois lenços, uma fita cor-de-rosa e um cordão. A invenção fez sucesso e a socialite começou a produzir a peça para algumas amigas. Em 1914, resolveu patentear a criação.

Modelo do sutiã patenteado por Mary Phelps

Modelo do sutiã patenteado por Mary Phelps

Esse primeiro sutiã tinha como função achatar os seios, mas a partir dos anos 30 a silhueta feminina voltou a ser valorizada e o desejo feminino era ter seios empinados. Em 1935, foram criados os primeiros sutiãs com bojo e estruturas de metal para aumentar as mamas, tão criticados atualmente por “iludirem” os amantes de seios fartos.

Sutiãs com bojo e estruturas de metal para deixar os seios empinadinhos

Sutiãs com bojo e estruturas de metal para deixar os seios empinadinhos

Em 1952 foi criado o náilon, deixando as peças mais leves. Mulheres curvilíneas continuavam valorizadas e a atriz Marilyn Monroe era o símbolo desse corpo perfeito. Por isso o sutiã mais cobiçado era o very secret: feito com duas almofadas de ar finas, criava o efeito de seios globo, fartos e redondos. Outro modelo de sucesso foi o sutiã peito-de-pombo, no qual o corte aproximava e levantava os seios.

Exemplos de sutiãs dos anos 40 e 50

Exemplos de sutiãs dos anos 40 e 50

Nos anos 60 e 70, alças elásticas e reguláveis foram adicionadas aos modelos de sutiã.  Os fabricantes do acessório começaram a perceber o grande nicho de adolescentes em busca do seu primeiro porta-seios e a criar tipos mais simples e com estampas românticas. Foi a partir daí que as lingeries começaram a ser feitas com tecidos transparentes e rendas. Também foi essa a época do auge do feminismo. O sutiã foi considerado um dos símbolos da repressão masculina e em 1968, algumas mulheres realizaram o protesto conhecido como A Queima dos Sutiãs, onde cerca de 400 ativistas do WLM (Women’s Liberation Movement) se manifestaram contra a realização do concurso de Miss America, em Atlantic City.  Os sutiãs na verdade nunca foram queimados. Elas apenas colocaram sutiãs, sapatos de salto alto, cílios postiços, sprays de laquê, maquiagens, revistas, espartilhos, cintas e outros “intrumentos de tortura”, amontoados em praça pública.

Ativistas na queima dos sutiãs

Ativistas na queima dos sutiãs

A partir da década de 80 surgiu o material mais usado nos sutiãs atualmente: a lycra. Feito com fibras naturais e algodão, o tecido proporcionou maior ajuste ao corpo e mais conforto para quem veste a peça. Na passagem dos anos 80 para os 90, a cantora Madonna revolucionou a maneira de usar sutiã. Apareceu com um corset de Jean Paul Gaultier na turnê Blond Ambition, lançando o conceito “outwear”: bodies, bustiês, corpetes e sutiãs viraram roupas de sair. Nos anos 90, o conforto passou a ser ainda mais valorizado. Os tecidos ficaram mais finos, como se fossem uma segunda pele e surgiram os modelos sem costura, além da lingerie esportiva. Novas fibras como tactel e microfibra foram incorporadas à lycra e ao algodão.

Madonna e seu Jean Paul Gaultier

Madonna e seu Jean Paul Gaultier

A palavra que define o sutiã nos anos 2000 é tecnologia. Ela invadiu o segmento e a modelagem ficou mais sofisticada. A indústria passou a criar modelos específicos para cada tipo físico da mulher. Bojos ganharam bolhas estrategicamente situadas para aumentar e modelar os seios pequenos e médios,  peças com recortes capazes de diminuir os peitos grandes foram feitas especialmente para as próteses de silicone.

Anos 2000: sutiãs com várias modelagens, para vários tipos de mulher.

Anos 2000: sutiãs com várias modelagens, para vários tipos de mulher.

A partir dos modelos hight- tech, a peça deixou de ter apenas objetivo estético. Passaram a integrar aparatos tecnológicos, com diversas funções. É o caso de um sistema de sutiã e calcinha criado por uma estudante de doutorado dos Estados Unidos. O conjunto permite jogar videogame através de controles ativados pela pressão em determinadas partes das peças.

Com um objetivo digamos, mais nobre, está em desenvolvimento o First Warning Systems, um sutiã esportivo e “inteligente” com a capacidade de detectar anomalias nos seios, como o câncer de mama. Ele foi testado em 650 mulheres e conseguiu diagnósticos com 90% de precisão. Percentual maior que o da mamografia, com 70% de acerto. Abaixo, vídeo fala sobre o funcionamento do sutiã e a sua importância no diagnóstico do câncer de mama.

 

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